quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Gizmodo Brasil

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Um bug no Chrome elimina todo o histórico do navegador, menos de sites do Google

Posted: 20 Oct 2020 03:37 PM PDT

Google Chrome. Imagem: Johannes Eisele (Getty Images)

Um dos esforços mais recentes do Google para promover a privacidade dos usuários acabou por se revelar uma farsa. A empresa lançou um recurso destinado a limpar os caches e cookies do navegador Chrome, mas estaria acidentalmente abrindo uma exceção para alguns de seus sites.

A tal brecha foi descoberta quando o desenvolvedor iOS Jeff Johnson percebeu que, depois de configurar o browser para limpar os cookies e o cache após cada sessão, o recurso funcionou perfeitamente para todos os sites. Somente duas páginas não foram incluídas no processo: Google e YouTube.

Johnson documentou a experiência em seu blog pessoal. Ao fechar o Chrome, os dois sites do Google tiveram os cookies removidos, mas mantiveram os dados no que é conhecido como “armazenamento local".

Embora os cookies tenham como objetivo rastrear seu comportamento na web e vincular esses dados a vários sites (principalmente aqueles ligados a compras e publicidade), os dados de armazenamento local de um site específico devem ser aplicados apenas a essa página para que possam ser acessados ​​novamente na próxima vez que você visitá-la.

Essa diferença, do ponto de vista de rastreamento, fica menor quando o site e o navegador são propriedade da mesma empresa.

Usando a extensão do Chrome LocalStorage Manager, os dados que o Google e o YouTube adicionam ao armazenamento local parecem incluir coisas a mais, como ID do dispositivo e localização GPS.

O Google ainda não respondeu ao nosso pedido de comentário sobre a brecha, mas um porta-voz da empresa disse ao site The Register que a companhia não está captando dados secretamente dos usuários de Chrome. Ela se limitou a responder apenas que se trata de um bug no navegador que atinge especificamente "alguns sites primários do Google".

"Estamos investigando o problema e planejamos lançar uma solução nos próximos dias", acrescentou o Google.

Felizmente, o blog de Johnson também explica como cancelar essas manobras de armazenamento local: basta adicionar youtube.com e google.com à configuração “sites que nunca podem usar cookies” em seu navegador. Ele acrescentou que marcar o botão “sempre limpar os cookies quando as janelas estão fechadas” não é suficiente, mesmo que a função dê a entender que é exatamente isso o que deveria acontecer.

Não há como provar se isso era simplesmente um bug, como o Google alegou. No entanto, esse tipo de erro é muito parecido com outras situações em que a companhia ignorou solicitações de privacidade do usuário. Alguns exemplos notáveis ​​incluem:

  • Rastrear a localização de usuários por meio das funções de Mapas e Pesquisa do Google, mesmo depois que esses usuários fizeram a escolha de pausar o compartilhamento.
  • O Chrome sincroniza dados confidenciais quando mesmo se os usuários optarem em não autorizar esse recurso. Esta prática foi objeto de uma ação judicial em julho, que alegou, entre outras características, que a prática violava as próprias políticas de privacidade do Google.
  • Alegar que um de seus identificadores de navegador não continha informações pessoais quando, na verdade, possuía esses dados.

Bom, se nem os funcionários da empresa entendem direito as configurações de privacidade dos seus produtos, não dá para esperar muita coisa diferente disso.

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Remédio para insônia devolveu temporariamente a fala e movimentos para homem com lesão cerebral

Posted: 20 Oct 2020 01:59 PM PDT

Ambien remédio zolpidem. Imagem: Tim Boyle (Getty Images)

Médicos em Amsterdã afirmam que uma droga geralmente associada à sonolência foi capaz de gerar breves períodos de lucidez a um homem com uma grave lesão cerebral.

Em um relatório publicado na revista Cortex no mês passado, os especialistas descreveram que uma única dose do medicamento zolpidem – mais conhecido pelo nome de marca Ambien – conseguiu restaurar temporariamente a capacidade do homem de falar e andar. Infelizmente, os efeitos duram apenas cerca de duas horas, mas o caso pode fornecer uma visão sobre como o cérebro pode ser danificado por derrames e outros traumas.

O homem de 37 anos sofreu uma trágica lesão cerebral aos 29 anos. Ele se engasgou com um pedaço de carne, que cortou o oxigênio de seu cérebro por tempo suficiente para provocar danos graves e duradouros à sua função neurológica. Embora inicialmente tenha mostrado alguma recuperação e tenha retido um certo nível de consciência, ele logo não podia mais se mover por conta própria, falar ou ficar acordado por muito tempo. Em oito anos, a condição do homem permaneceu a mesma, e ele precisava de cuidados de enfermagem 24 horas por dia e um tubo de alimentação para se manter vivo.

O zolpidem é usado com mais frequência como um sedativo, porém há evidências de que às vezes pode ter um efeito paradoxal, causando estado de alerta em algumas pessoas, incluindo aquelas com certos distúrbios neurológicos que os deixam em estado de coma. Também pode ser prescrito para tratamento a curto prazo da insônia.

Os médicos em Amsterdã decidiram dar ao homem uma dose única e relativamente alta da droga. Em 20 minutos, ele conseguiu falar, quando conversou com o pai ao telefone pela primeira vez em anos e, com alguma ajuda, até conseguiu andar novamente. Ele teve amnésia do incidente de engasgo e dos três anos anteriores, bem como alguns problemas de audição, mas por outro lado, ele estava alegre e alerta, até mesmo pedindo fast food.

Contudo, a recuperação milagrosa durou apenas cerca de uma hora antes que ele retornasse gradualmente ao seu nível básico de função. Quando ele recebeu doses repetidas de zolpidem ao longo do dia, os períodos de normalidade foram ficando mais curtos a cada vez, até que a droga parou de funcionar até alcançar um efeito sedativo. Eventualmente, os médicos descobriram que o zolpidem era mais eficaz – durando cerca de 30 a 60 minutos por dose antes de desaparecer na hora seguinte – quando ele não o havia tomado nas duas ou três semanas anteriores. Por isso, passou a receber o medicamento apenas em ocasiões especiais, como visitas familiares ou consultas odontológicas.

Apesar da indefinição de uma cura a longo prazo para a condição do homem, seus médicos ainda queriam entender exatamente como o zolpidem era capaz de causar uma reviravolta tão surpreendente, mesmo que por um curto período de tempo. Então, eles estudaram seu cérebro, via eletroencefalografia e ressonância magnética, antes e depois de ele tomar a droga.

As descobertas sugerem que o zolpidem, que atua aumentando o efeito de um neurotransmissor inibitório chave chamado GABA, acalmou partes do cérebro do homem que se tornaram hiperativas após a lesão, ao mesmo tempo em que aumentou os níveis de atividade das ondas cerebrais ligadas ao estado de alerta

"Você pode comparar a função do cérebro, por assim dizer, a uma grande orquestra de cordas. Em nosso paciente, os primeiros violinos tocam tão alto que abafam os outros membros da orquestra, e as pessoas não conseguem mais se ouvir. O zolpidem garante que esses primeiros violinos toquem de uma maneira mais branda, para que todos reproduzam no tempo", disse Hisse Arnts, principal autor do estudo e médico residente e pesquisador de neurociência do Centro Médico da Universidade VU de Amsterdã, ao site IFLScience.

Como este é apenas um paciente, e portanto um caso isolado, ainda há muito a ser aprendido sobre os efeitos restauradores do zolpidem no cérebro fora de seu uso normal, que é como um sonífero. Mas, idealmente, esta pesquisa poderia levar a avanços na compreensão (e talvez um dia na reparação) do tipo único de dano cerebral que é responsável pela condição do homem. Um possível passo futuro, especulam os autores do estudo, é usar as terapias existentes como uma estimulação cerebral profunda para equilibrar a hiperatividade do cérebro por períodos mais longos de tempo do que o zolpidem é capaz de fazer.

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Google é acusado de prejudicar concorrência com o aplicativo de busca em dispositivos Android

Posted: 20 Oct 2020 12:58 PM PDT

Google Busca. Crédito: Nathana Rebouças (Unsplash)

Após uma investigação de 16 meses, o Departamento de Justiça dos EUA e 11 estados entraram com um processo antitruste contra o Google nesta terça-feira (20), argumentando que o aplicativo de pesquisa da empresa – que é um recurso permanente e já incluído em aparelhos Android – prejudica a concorrência de pesquisa e canaliza desproporcionalmente o tráfego para o negócio de anúncios do Google.

"Duas décadas atrás, o Google se tornou o queridinho do Vale do Silício como uma startup que oferecia uma forma inovadora de pesquisar a emergente internet. Aquele Google já não existe mais", afirma a reclamação. "O Google de hoje é um monopolista guardião da internet e uma das empresas mais ricas do planeta".

O Departamento de Justiça dos EUA está repetindo uma ação similar contra a Microsoft do início dos anos 2000: uma grande empresa de tecnologia usa seu tamanho para obter exclusividade de software.

Se antes o Internet Explorer era quem estava com um alvo nas costas, agora o aplicativo de busca do Google no Android – e os acordos que o Google faz para mantê-lo pré-instalado e imutavelmente incluído nesses telefones – é que está em questão.

"O Google paga bilhões de dólares a cada ano a distribuidores – incluindo fabricantes de dispositivos populares como Apple, LG, Motorola e Samsung; as principais operadoras de telefonia dos EUA, como AT&T, T-Mobile e Verizon; e desenvolvedores de navegadores como Mozilla, Opera e UCWeb – para garantir o status padrão de seu mecanismo de busca geral e, em muitos casos, proibir especificamente as contrapartes do Google de negociar com os concorrentes do Google", afirma o processo. O Departamento de Justiça afirma que essa estratégia supostamente ilegal rendeu ao Google "quase 90 por cento de todas as buscas em mecanismos de pesquisa gerais nos Estados Unidos e quase 95 por cento das buscas em dispositivos móveis".

"O processo de hoje pelo Departamento de Justiça é profundamente falho. As pessoas usam o Google porque querem – não porque são forçadas ou porque não conseguem encontrar alternativas", disse um porta-voz do Google ao Gizmodo.

A ação, movida no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Washington, DC, foi criticada por ser levada ao tribunal às pressas para garantir ganhos políticos para o governo Trump. "Este caso não tem nada a ver com esse assunto", disse o procurador-geral adjunto Jeff Rosen, em uma coletiva de imprensa esta manhã, quando questionado sobre por que o processo foi aberto duas semanas antes da eleição.

Funcionários do Departamento de Justiça também se desviaram repetidamente quando questionados por jornalistas por que esse não era um esforço bipartidário. Os 11 estados que aderiram – Arkansas, Flórida, Geórgia, Indiana, Kentucky, Louisiana, Mississippi, Missouri, Montana, Carolina do Sul e Texas – têm procuradores-gerais republicanos.

No ano passado, a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, e o procurador-geral do Texas, Ken Paxton, anunciaram uma investigação antitruste paralela, ampla e bipartidária sobre o Google, juntamente com 49 procuradores-gerais. "Agradecemos a forte cooperação bipartidária entre os estados e o bom relacionamento de trabalho com o Departamento de Justiça nessas questões graves", disse James e os procuradores-gerais do Colorado, Iowa, Nebraska, Carolina do Norte, Tennessee e Utah em uma declaração conjunta hoje:

Este é um momento histórico para as autoridades antitruste federais e estaduais, pois trabalhamos para proteger a concorrência e a inovação em nossos mercados de tecnologia. Planejamos concluir partes de nossa investigação do Google nas próximas semanas. Se decidirmos registrar uma reclamação, apresentaremos uma moção para consolidar nosso caso com o Departamento de Justiça. Em seguida, litigaríamos o caso consolidado de forma cooperativa, como fizemos no caso da Microsoft.

A divisão antitruste do Departamento de Justiça dos EUA iniciou 18 investigações sobre o potencial abuso do poder de monopólio entre 2010 e 2019, mas apenas um único caso foi levado ao tribunal.

O caso foi movido contra o United Regional Health Care System, acusado de firmar contratos que impedem as seguradoras de saúde de assinar contratos com concorrentes da United Regional. Um acordo foi rapidamente consolidado no caso, impedindo de condicionar os contratos com base no fato de as seguradoras trabalharem com fornecedores concorrentes.

Google é a nova Microsoft?

Como observado pelo Departamento de Justiça, quando era a Microsoft no centro das atenções, "o Google alegou que as práticas da Microsoft eram anticompetitivas e, ainda assim, o Google usa o mesmo esquema para sustentar seus próprios monopólios".

Para dar um contexto, a Microsoft foi julgada por violar um decreto de consentimento ao se envolver em práticas de exclusão em um esforço para manter o controle do mercado de sistema operacional para PC. (A empresa foi ainda acusada de tentar, sem sucesso, monopolizar o mercado de navegadores da web.)

Em 1999, um juiz federal decidiu que a Microsoft era um monopólio e tentou dividir a empresa em duas. Um tribunal de apelações posteriormente rejeitou a proposta do juiz e – contra os protestos de vários procuradores-gerais do estado – aprovou um acordo negociado pelo Departamento de Justiça. Como resultado, a Microsoft concordou em tornar mais fácil para desenvolvedores terceirizados integrarem seu software ao Windows e foi submetida a outras condições, incluindo auditorias independentes, que expiraram em 2011.

O aplicativo de pesquisa pré-instalado foi o foco de um caso antitruste da União Europeia contra o Google, que resultou em uma multa de US$ 5,1 bilhões em 2018. (Na época, Donald Trump acusou a UE de tirar “vantagem” de “uma de nossas grandes empresas, o Google".) A Comissão Europeia aplicou uma multa de US$ 2,7 bilhões contra o Google por priorizar seu próprio serviço de compras em resultados de pesquisas e outra multa de US$ 1,7 bilhão por dominar o espaço publicitário em seu mecanismo de busca e na web.

Curiosamente, de forma espontânea, Rosen foi inflexível em afirmar que isso não tem nada a ver com as recentes ligações do Partido Republicano para desmantelar a Seção 230 devido ao favoritismo anti-conservador pelo Twitter e Facebook. "O caso antitruste é muito separado das questões sobre mídia social e algumas outras questões de tecnologia que estão por aí sobre distorção ou parcialidade, que têm sido o assunto, pelo menos para nós, em relação à Seção 230 da Lei de Decência nas Comunicações", disse Rosen. "Esse é um conjunto totalmente separado de preocupações, tratadas com diferentes pessoas no departamento".

Funcionários do Departamento de Justiça não disseram se eles se envolveram em negociações de acordo com o Google antes do arquivamento, nem deram detalhes específicos sobre que tipo de resolução eles esperavam obter, embora o procurador-geral adjunto associado Ryan Shores tenha declarado que "nada está fora de questão".

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LG lança TV 4K finíssima que se enrola para dentro da base pela bagatela de US$ 87 mil

Posted: 20 Oct 2020 11:53 AM PDT

Há pouco mais de dois anos, a LG vinha divulgando teasers da Signature OLED R, uma TV enrolável com resolução 4K que foi exibida nas duas últimas edições da CES, em Las Vegas. Pois agora o aparelho está pronto para chegar aos lares, pelo menos na Coreia do Sul: por lá, consumidores já podem desembolsar 100 milhões de Wons coreanos, que na conversão atual equivale a US$ 87 mil. Ou, para deixar tudo ainda mais caro, R$ 490 mil (ouch!).

Também conhecida como LG RX, a Signature OLED R tem tamanho único de 65 polegadas com resolução Ultra HD, suporte a HDR, taxa de atualização de 120 Hz e todas as funcionalidades do sistema operacional webOS, que roda nos demais aparelhos de TV da fabricante. É possível alternar entre três modos de visualização: Full View, que é a TV propriamente dita; Line View, que deixa uma pequena parte do visor para fora exibindo apenas um relógio ou previsão do tempo; e Zero View, para ouvir música com a tela totalmente escondida.

É assim que a TV fica totalmente enrolada dentro da base.

Mas o que mais chama atenção no dispositivo é o seu painel finíssimo que se enrola na própria base. O suporte, por sua vez, também funciona como uma soundbar gigante. De acordo com a LG, o componente vem com alto-falantes em 4.2 canais, potência de 100 watts e tecnologia Dolby Atmos. Dentro da base também fica o processador responsável por fazer o aparelho funcionar.

A LG diz que o display salta para fora e se guarda na base em apenas 10 segundos, podendo suportar até 50.000 ciclos de ser enrolada e desenrolada. Com certeza é um tempo mais que suficiente para passar alguns bons anos em precisar trocar a TV. Mas sabendo de eventuais riscos, a LG ainda vai oferecer três anos de serviço especializado para todos os compradores do produto – o que, entre outros benefícios, garante o envio de técnicos duas vezes por ano na casa dos clientes para verificar se está tudo bem com o aparelho.

A Signature OLED R está disponível em um número pequeno de lojas na Coreia do Sul por 100 milhões de wons, o que em reais dá aproximadamente R$ 490 mil. A base que protege a TV pode ser adquirida nas cores Signature Black (preto), Moon Gray (cinza), Topaz Blue (azul escuro) ou Toffee Brown (marrom).

[LG, GSMArenaCNET]

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Reino Unido diz que Olimpíadas 2020 (ou o que sobrou delas) estavam na mira de hackers russos

Posted: 20 Oct 2020 10:38 AM PDT

Jogos Olímpicos. Imagem: Carl Court (Getty Images)

Como se as Olimpíadas não tivessem obstáculos suficientes para lidar (leia-se: a pandemia do novo coronavírus), parece que podemos adicionar malwares à lista de potenciais ameaças. Nesta segunda-feira (19), autoridades do Reino Unido publicaram um memorando observando que os hackers que trabalham com a GRU – agência de inteligência militar da Rússia – realizaram inúmeros ataques cibernéticos contra os principais patrocinadores, organizadores e outros jogadores nos Jogos Olímpicos, que até então aconteceriam este ano em Tóquio.

Embora as autoridades não tenham entrado em detalhes sobre como são esses ataques cibernéticos, há uma chance de que os responsáveis estejam relacionados a seis agentes da GRU indiciados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Os hackers foram declarados culpados por anos de ataques cibernéticos contra os Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang 2018, a eleição presidencial francesa de 2017 e outros eventos.

Como parte de sua declaração sobre a recente série de hacks olímpicos originários de solo russo, o secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab, explicou exatamente o que aconteceu em 2018. Na época, a GRU implantou uma versão do malware VPNFilter contra os sistemas de TI que operavam nos Jogos de Inverno, com o objetivo de limpar os dados desses computadores e redes ou desativá-los totalmente.

Naquele tempo, os administradores conseguiram isolar os dispositivos com bugs e substituí-los a tempo de colocar as Olimpíadas de volta nos trilhos com o mínimo de interrupção. No entanto, ainda estava claro para as autoridades cibernéticas do Reino Unido que se tratava de um movimento da Rússia para “sabotar” completamente todo o processo da maior competição esportiva do planeta.

A própria acusação do Departamento de Justiça dos EUA entra em mais detalhes, observando que os anfitriões e participantes das Olimpíadas de Inverno de PyeongChang – sem mencionar os cidadãos sul-coreanos, oficiais e atletas – foram atacados com “campanhas de spear phishing e aplicativos móveis maliciosos” destinados a absorver informações sensíveis de seus dispositivos.

Há uma boa chance de que o ciberataque atual, assim como o que aconteceu em 2018, possa estar relacionado a atletas russos serem excluídos das Olimpíadas por violações de doping. Em 2019, a Agência Mundial Antidopagem proibiu formalmente a Rússia de competir nas Olimpíadas pelos próximos quatro anos, também impedindo o país de sediar eventos internacionais em seu território. Na época, o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, se declarou chocado com a proibição.

“Por mais de dois anos, trabalhamos incansavelmente para expor oficiais russos da GRU que se engajaram em uma campanha global de invasão, interrupção e desestabilização”, disse o procurador-geral Scott W. Brady em um comunicado, observando que esses ataques remontam a 2015, considerado "o ataque cibernético mais caro e destrutivo da história".

"Os crimes cometidos por funcionários do governo russo foram contra vítimas reais que sofreram danos reais", acrescentou.

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WhatsApp Web deve ganhar chamadas de voz e vídeo em breve

Posted: 20 Oct 2020 09:32 AM PDT

Ícone do WhatsApp. Crédito: AP

O WhatsApp Web é uma mão na roda, principalmente para facilitar a comunicação com as pessoas quando estamos no computador e para transferir arquivos entre dispositivos. Agora, parece que o aplicativo vai ganhar mais dois recursos muito bem-vindos e esperados para a versão web: chamadas de vídeo e voz.

A informação foi divulgada pelo site WABetaInfo, que afirma que a versão mais recente 2.2043.7 do WhatsApp Web já está com o recurso habilitado, mas não disponível para os usuários, visto que ele ainda está em desenvolvimento. Não há previsão de um lançamento oficial; tudo o que o site diz é que a novidade chegará "em breve".

Ainda assim, as capturas de tela dão uma ideia de como o recurso pode aparecer para os usuários. Ao lado do ícone da lupa, que permite buscar contatos e palavras-chave, aparecerá o ícone de telefone para chamadas de voz, e o ícone de câmera para as chamadas de vídeo.

Crédito: WABetaInfo

Ao receber uma ligação, uma pequena janela pop-up é aberta, com uma interface similar à que aparece nos dispositivos móveis. Além de mostrar o nome da pessoa que está ligando, é possível "aceitar", "recusar" ou "ignorar" a chamada, da mesma forma que ocorre no aplicativo atualmente. De acordo com o WABetaInfo, o recurso terá suporte para chamadas em grupo também.

Crédito: WABetaInfo

Agora, quando você é quem liga para alguém, a janela pop-up é um pouco diferente. Ela aparece em um tamanho menor e mostra o status da ligação, conforme vemos na captura de tela abaixo. Por meio desse atalho, também é possível ligar ou desligar a câmera e o microfone, e encerrar a chamada.

Crédito: WABetaInfo

O recurso é extremamente útil em uma época de pandemia como essa, em que muitas pessoas recorreram às videochamadas para se conectar com amigos, família e colegas de trabalho. Provavelmente, o WhatsApp Web não vai substituir outras ferramentas, como Zoom e Google Meet, no ambiente corporativo, visto que ele não possui recursos mais avançados, como compartilhamento de tela. No entanto, para aquelas reuniões rápidas e em que não há apresentações, as chamadas via desktop podem tornar o WhatsApp Web a melhor opção, pois será capaz de integrar a comunicação em uma única plataforma e dispositivo.

[AndroidCentral, WABetaInfo]

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A sonda de calor do InSight agora está completamente enterrada em Marte

Posted: 20 Oct 2020 07:47 AM PDT

Há boas notícias do Planeta Vermelho para relatar, já que a teimosa sonda de calor Mars InSight, conhecida como "a toupeira", agora está completamente enterrada. É um passo encorajador, pois a sujeira ao redor poderia induzir o dispositivo a perfurar mais profundamente a crosta marciana.

A saga em curso do Fluxo de Calor e do Pacote de Propriedades Físicas do módulo de pouso InSight deu uma guinada importante, ou pelo menos nós esperamos. A furadeira automotriz, construída pela agência espacial alemã (DLR) e operada pelo Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, agora está completamente obscurecida pela terra vermelha de Marte – um sinal de que em breve poderá cavar adequadamente, já que precisa de fricção para se mover para baixo. Até este ponto, ela estava pulando para cima e para baixo como um pula-pula de mola inútil.

O objetivo da toupeira é fazer leituras de temperatura abaixo da crosta marciana, a uma profundidade máxima de 3 metros. Mas este dispositivo provou ser o aspecto mais frustrante da missão InSight, que começou em novembro de 2018 quando a sonda chegou a Elysium Planitia. Até recentemente, a sonda de 40 centímetros de comprimento mal podia limpar a superfície, e em um particularmente angustiante ponto – cerca de um ano atrás, neste momento – Marte rejeitou a furadeira, cuspindo-a de volta para a superfície.

Agora, não é a toupeira que não coopera, mas sim a sujeira marciana. A ação de martelamento da toupeira está fazendo com que a sujeira se aglomere, formando uma lacuna ao redor do dispositivo em vez de desmoronar ao redor dele. Infelizmente, a NASA não pode simplesmente pegar a toupeira e tentar cavar em outro lugar: a sonda não tem um "ponto de agarramento" que possa ser agarrado pelo braço robótico do InSight.

A partir do ano passado, para evitar que a toupeira se movesse na direção errada, os planejadores da missão usaram a concha do InSight para tentar fixar a sonda no fundo do poço e mantê-la no solo. Isso funcionou por um tempo, mas a NASA encontrou um obstáculo em julho, quando a toupeira parou de descer. A equipe culpou a duricrust – uma mistura parecida com cimento em que os grânulos se aglutinam – pela interrupção. A NASA apertou o botão de pausa neste ponto porque o braço do InSight era necessário para outras tarefas, mas agora está de volta à toupeira.

Conforme relata a NASA, a toupeira agora está totalmente enterrada no regolito marciano e fora de vista. Tudo o que é visível agora é o cabo saindo do solo (o cabo é carregado com sensores de temperatura projetados para medir o fluxo de calor abaixo da superfície).

"Estou muito feliz por termos sido capazes de nos recuperar do evento inesperado de ‘expulsão’ que experimentamos e levar a toupeira a uma profundidade maior do que nunca", explicou Troy Hudson, o engenheiro do JPL que está liderando este esforço, no comunicado da NASA.

O próximo passo será fazer com que o braço, com sua pá útil, empilhe mais terra e empacote-a de forma bem prensada. A NASA diz que isso levará meses e não será hora de a sonda martelar até o início de 2021. Hudson quer “garantir que haja solo suficiente no topo da toupeira para permitir que ela cave por conta própria, sem qualquer ajuda do braço", disse ele.

Parece que a equipe InSight tem um trabalho tedioso, mas importante, pela frente. O fato de a sonda estar completamente enterrada é uma notícia encorajadora, mas ainda não há garantia de que a estratégia da NASA funcionará. Conforme mencionado, a equipe parece estar lidando com sujeira menos do que ideal, e a ação de martelar pode continuar a criar bolsas dentro do buraco, resultando na perda de fricção. Espero que eu esteja errado e que em breve veremos algumas leituras de temperatura do Planeta Vermelho em profundidade.

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LG K71 tem caneta stylus integrada e chega ao mercado custando R$ 2.500

Posted: 20 Oct 2020 06:12 AM PDT

Se você gosta de usar seu smartphone com uma canetinha stylus, tem pouquíssimas opções no mercado brasileiro, como a linha Galaxy Note — que, diga-se de passagem, não é nada acessível. Outros aparelhos, como o Moto G Stylus, nem chegam por aqui. Uma nova alternativa acaba de chegar, porém: é o LG K71, novo intermediário da marca sul-coreana. O preço sugerido é R$ 2.500.

O K71 parece bastante os aparelhos da linha K apresentados há alguns meses. Em comum, ele tem processador da MediaTek, a bateria de 4.000 mAh, a certificação militar de resistência que é figurinha carimbada na LG e um visual com as três câmeras traseiras organizadas em uma linha com o leitor de impressões digitais logo abaixo.

O chip é um MediaTek Helio P35, octa-core com até 2,3 GHz de clock, o mesmo usado no K51s e no K61. Em memórias, você tem 4 GB de RAM e 128 GB para armazenamento, também igual ao K61. A tela IPS LCD é bem grande, com 6,8 polegadas, e conta com resolução FullHD+.

O aparelho roda Android 10 — mais atualizado que seus irmãos, portanto. A câmera traseira principal tem resolução de 48 megapixels e é acompanhada por outras duas de 5 megapixels cada, uma ultra-wide e outra de profundidade. Para selfies, um sensor de de 32 megapixels.

Nas imagens de divulgação do produto, as bordas parecem bem grandes. Para efeito de comparação, as medidas do produto (171,2 x 77,7 x 8,6 mm) são maiores que a do Velvet, que tem uma tela do mesmo tamanho (167,1 x 74,1 x 7,9 mm).

Provavelmente o tamanho maior é para acomodar a canetinha, que fica alojada um buraco na parte inferior. Aparentemente, se trata de uma stylus bem simples, sem os truques da S Pen da Samsung — o que faz sentido, já que estamos falando de um aparelho que custa menos da metade do Galaxy Note. A LG diz apenas que, com ela, “é possível desenvolver artes digitais, caligrafias personalizadas, mensagens animadas ou até customizar seu próprio emoji”.

Já faz um tempo que a marca inclui o app de anotações QuickMemo+ em seus smartphones, que permite incluir anotações em printscreens e provavelmente vai tirar proveito da canetinha. Ainda falta saber se há mais otimizações de software para usar a stylus.

O LG K71 já está disponível no varejo brasileiro com preço sugerido de R$ 2.500. Não é exatamente barato, ainda mais com a alta recente de preços causada pelo dólar acima dos R$ 5, mas é bom ver mais uma opção para quem procura um aparelho com canetinha integrada.

LG K71 — ficha técnica

  • Processador: MediaTek Helio P35 Octa-Core de 2.3 GHz
  • Tela: 6,8 polegadas FHD + FullVision
  • Memória: Interna de 128GB (expansível até 2 TB com cartão micro SD) e RAM de 4GB
  • Câmera tripla com inteligência artificial:
    • Traseira: 48MP Inteligência Artificial e Pixel Binning, Super Grande Angular de 120º 5MP e sensor de profundidade de 5MP.
    • Frontal: 32MP
  • Bateria: 4.000mAh
  • Sistema Operacional: Android 10
  • Medidas: 171.2 x 77.7 x 8.6 mm
  • Rede: LTE / 3G / 2G
  • Resistência Militar: Certificação Militar Standard 810G
  • Botão Google Assistente
  • Outras: DTS:X 3D Surround Sound/ Sensor de impressão digital para desbloqueios

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Desenho gigante de gato é encontrado próximo às Linhas de Nazca, no Peru

Posted: 20 Oct 2020 05:28 AM PDT

Um desenho enorme de um gato foi descoberto em uma colina no famoso local das Linhas de Nazca, no Peru. A impressionante obra de arte tem cerca de 2 mil anos de idade e mede mais de 36 metros de largura.

O geoglifo felino estava bem debaixo de nossos narizes o tempo todo.

O desenho está localizado na encosta do Morro do Mirador Natural, que abriga em seu topo o Mirante Natural La Pampa de Nasca — um local ideal para observar as linhas de Nazca. Trabalhadores descobriram o desenho acidentalmente durante reformas no mirante, de acordo com um comunicado do Ministério da Cultura do Peru. O local fica no deserto de Nazca, cerca de 400 quilômetros ao sul de Lima.

A figura era quase imperceptível, razão pela qual permaneceu desconhecida até agora. Imagem: Ministério da Cultura do Peru-Nasca-Palpa/AP

O desenho, que foi feito há quase 2 mil anos, estava muito desbotado, o que explica por que ele ficou tanto tempo sem ser detectado. A figura do felino "estava quase invisível" e "prestes a desaparecer" devido à sua localização numa encosta bastante íngreme e aos efeitos da erosão natural, afirmou o Ministério da Cultura. Trabalhos recentes de restauração deixaram o gato bem visível.

O geoglifo mostra o gato de perfil, com a cabeça voltada para o observador. A figura felina se estende por 37 metros, e as linhas do desenho medem entre 30 a 40 cm de espessura. Elas foram feitos removendo a camada superior de rochas e expondo os minerais brilhantes que ficam por baixo.

Uma visão mais próxima do geoglifo felino, com operários em escala. Imagem: Ministério da Cultura do Peru-Nasca-Palpa/AP

O estilo do desenho data do período tardio de Paracas, de cerca de 200 a.C. a 100 a.C. Os gatos eram um tema popular entre o povo Paracas (uma sociedade andina), como são vistos em muitos de seus tecidos e cerâmicas.

Não se trata, tecnicamente, de um desenho de Nazca, mas de um desenho de Paracas, pois o local é anterior à cultura de Nazca, segundo nota do ministério. Acredita-se que os primeiros desenhos feitos pela cultura Paracas tiveram uma grande influência nas linhas posteriores de Nazca.

Coletivamente, essas enormes obras de arte — que foram criadas ao longo de 1.000 anos, de cerca de 500 a.C a 500 d.C. — são formalmente conhecidas como Linhas e Geoglifos de Nazca e Palpa e são designadas como Patrimônio Mundial da UNESCO. Este belo gato agora pode ser adicionado à lista de linhas e geoglifos encontrados na região.

Outros geoglifos zoomórficos na região de Nazca e Palpa retratam beija-flores, macacos e pelicanos. Representações antropomórficas e geométricas também são comuns, espalhadas por uma área medindo cerca de 450 quilômetros quadrados.

Não se sabe exatamente por que as pessoas produziram obras de arte tão grandes no solo, mas uma possibilidade é que elas foram feitas para serem vistas por divindades no céu. Os desenhos provavelmente carregavam um significado e simbolismo profundos e ajudam a vislumbrar um pouco da vida espiritual dessas tão criativas comunidades antigas.

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[Review] Galaxy Note 20: o melhor que tem para quem curte uma canetinha

Posted: 20 Oct 2020 04:49 AM PDT

Galaxy Note 20 Ultra

Você pode ter uma série de críticas à Samsung, mas uma coisa é certa: quando ela anuncia o aparelho em evento mundial, no mês seguinte já temos detalhes sobre seu lançamento no Brasil. E isso não foi diferente com o Galaxy Note 20 Ultra. Apresentado em agosto, ele começou a ser vendido por aqui no fim de setembro com preço sugerido de R$ 8 mil e já é encontrado na casa dos R$ 7 mil.

O segundo smartphone de topo de linha da marca lançado em 2020 recebeu adições incrementais, como câmeras melhores, tela com taxa de atualização maior, um hardware mais potente e uma nova cor — bronze mystic, que inclusive foi a utilizada na unidade emprestada pela Samsung para o teste.

De primeira, dá para dizer que é um smartphone potente, voltado para quem gosta de fartura de especificações e está disposto a pagar uma pequena fortuna. Como o modelo que testei ano passado, sempre penso que este é um modelo para uso profissional ou se você curte jogar — ou fazer os dois ao mesmo tempo. Abaixo, os detalhes do meu teste. Porém, neste link, você pode ler a análise traduzida feita pelo pessoal do Gizmodo US.

Visual

O Galaxy Note 20 Ultra é grande, mas não muito. Sua tela de 6,9 polegadas parece gigante no papel, mas a Samsung fez um bom trabalho em praticamente eliminar as bordas dele. Soma-se a isso o fato de ele não ser tão largo. Então, não dá tanto a ideia de que você está carregando um tijolão por aí.

Galaxy Note 20 Ultra
Galaxy Note 20 Ultra na traseira
O que é?
Smartphone topo de linha da Samsung com caneta S Pen
Preço
R$ 8.000 (sugerido); no varejo, você acha por R$ 6.999
Gostei
Design com molduras mínimas, tela de 120 Hz, desempenho
Não gostei
Bateria poderia ser maior

A construção dele chama a atenção primeiramente pela cor. Se no ano passado havia aquele efeito de irisdescência no Note 10+ (que ficava parecendo que havia um arco-íris na traseira quando havia reflexo de luz), neste ano o telefone tem uma cor sólida, porém bem curiosa. Em alguns momentos, o bronze parecia o tom "rose gold" do iPhone 6s, só que em tom mais forte. Achei bem bonito, e dá uma amostra de personalidade da marca e dos eventuais compradores da opção.

Galaxy Note 20 Ultra com canetinha à mostra

Outro fato, por outro lado, foi alvo de crítica — pelo menos entre alguns comentaristas na estreia do telefone no País. A Samsung usou um material na traseira do aparelho que lembra um plástico reforçado. Apesar de trazer mais leveza, talvez essa característica faça com que ele transmita a sensação de não ser tão premium. Pessoalmente, não me incomodou, ainda mais por não deixar marcas de dedo, porém vale ressaltar que há quem se importe com isso.

Detalhe das câmeras traseiras do Galaxy Note 20 Ultra

A tela SuperAMOLED é muito brilhante e chega a 1.500 nits (o que significa que manuseá-la embaixo de um baita Sol não comprometerá e experiência), mas o que mais me impressionou é a taxa de atualização de 120 Hz. Confesso que não via muita graça nesse recurso quando ouvia falar, porém ao ver, por exemplo, um jogo rodando num display com tal tecnologia, a mudança é drástica.

Desempenho

Infelizmente, neste tempo de quarentena fiquei viciado no jogo Asphalt 9. Joguei o game de corrida por um bom tempo no Nova 5T, da Huawei, que é um ótimo celular. Porém, o mesmo jogo no Note 20 Ultra oferece uma experiência muito diferente: os efeitos e animações parecem mais vívidos. Me lembrou um pouco a primeira vez que vi o iPhone 4 com tela Retina: assim como o telefone da Apple naquela época, a diferença com o que temos no mercado é bem grande.

Importante ressaltar, porém, que notei isso apenas no jogo. Se não fosse isso, confesso que talvez não ligaria tanto para a funcionalidade. De qualquer jeito, o recurso é um prato cheio para quem curte games no smartphone.

A Samsung continua com sua competente interface de personalização sobre o Android 10, a One UI. Com ela, você tem ícones grandes e um visual limpo.

Algo que a empresa traz há um tempo mas nunca utilizei é o recurso da Pasta Segura. Ainda que você possa utilizá-la para colocar arquivos sensíveis, também dá para colocar seu app de banco por lá, o que eu achei bem interessante. Melhor não deixar seus aplicativos importantes dando sopa, né?

Não custa lembrar que falamos aqui de um smartphone com 12 GB de RAM e com processador Exynos 990 (apenas a versão dos EUA vem com chip Snapdragon 865+), então não houve nenhum problema de desempenho, seja ao usar o modo multitasking, usar o Samsung DeX (mais sobre este recurso mais adiante) ou jogar games mais pesados como o Asphalt 9 ou FreeFire.

Recurso de tela dividida do Galaxy Note 20 Ultra rodando navegador e YouTube

No que diz respeito à autonomia de bateria, o Note 20 Ultra tem 4.500 mAh. Na prática, ele aguentou comigo um dia todo de uso moderado com uma pequena sobra para o dia seguinte. Agora, quando eu inventava de jogar e checar bastante as redes sociais (Twitter, Facebook, Instagram e Discord), a bateria chegava a uns 10% no fim do dia.

A grande culpada por isso é a tela de 120 Hz: apesar de melhorar consideravelmente as transições de apps e efeitos, ela gasta bastante bateria.

A boa notícia é que dá para alterar a taxa de atualização de 120 Hz para 60 Hz, que é o comum na maioria dos smartphones. Para isso é só buscar a função Suavidade de Movimento em Configurações e escolher a taxa de atualização Padrão.

Ainda acho curioso que o Galaxy S20 Ultra, lançado no início do ano, tem 5.000 mAh. Se a sua não for muito games e você não está muito empolgado com a tela de 120 Hz, talvez seja uma boa considerar o telefone lançado no primeiro semestre. Óbvio: ele não tem a canetinha, mas tem mais bateria pelo menos.

Sobre o carregador, ele tem potência de 25W. Então, ela ia de 15% a 100% em 1h06m, o que é bem em linha com outros modelos topo de linha e com bastante bateria.

S Pen e Samsung Dex

Interface da S Pen do Galaxy Note 20 Ultra

A S Pen está mais esperta no Note 20 Ultra. Apesar de não ser grande entusiasta da caneta, o nível de precisão dela é bastante bom. Então, você consegue tomar notas com uma experiência que está cada vez mais próxima de um lápis ou uma caneta esferográfica. Algo curioso é que, às vezes, para passar esta noção, um app de pintura do smartphone conseguia emular o barulho de um lápis no papel. É um detalhe bobo e pequeno, mas que chamou muito minha atenção.

Agora o app Samsung Notes, que abriga as notas feitas via S Pen, conta com um sistema de sincronização que permite, inclusive, fazer upload no OneNote, da Microsoft. Assim, além de ter suas anotações salvas, é possível visualizá-las em um computador.

Aliás, essa conexão facilita o envio dessas anotações para slides de apresentação do PowerPoint. Não custa lembrar que isso funciona redondo no Windows 10 graças ao app Samsung Notes para o sistema, que facilita isso.

Conectar ao Dex está mais fácil. Se você não sabe do que se trata, é basicamente um ambiente do smartphone que lembra um desktop e pode ser acessado em seu computador, como expliquei no review do Galaxy Note 10+ no ano passado. Agora ele também funciona facilmente na televisão.

Interface do Samsung Dex em uma TVInterface do Samsung Dex em uma TV

Para isso, basta escolher a opção Dex arrastado o dedo de cima para baixo e conectar-se à TV — lembrando que ele usa a conexão Wi-Fi e é importante que o telefone e a televisão estejam na mesma rede.

A vantagem disso é poder facilmente transmitir apresentações do seu telefone ou mostrar imagens presentes em sua galeria, por exemplo. Pode ser também uma opção caso você queira transmitir uma videoconferência ou deixar rodando um vídeo na TV enquanto checa redes sociais no telefone.

Ótimo conjunto de câmeras

O conjunto de câmeras do Galaxy Note 20 Ultra é bem sólido. Na frente, há um sensor de 10 MP para selfie com abertura f/2.2. Já na traseira são três sensores:

  • 12 MP ultra-grande angular (f/2.2) com abertura de 120 graus;
  • 108 MP grande angular (f/1.8) com OIS;
  • 12 MP teleobjetiva com zoom óptico de 5x (f/3.0).

Além disso, há um laser para ajudar no foco automático.

As imagens captadas pelo aparelho são excelentes. Com boa iluminação, ficam ótimas e, às vezes, têm um certo exagero na nitidez e cores de itens. Os objetos da cena ficam muito bonitos, mas não são tão correspondentes à realidade. Porém, até aí, boa parte do que a gente vê nas redes sociais também não é real e continuamos nelas, né? Brincadeiras à parte, existe um certo exagero em cores, mas as imagens resultantes são impressionantes.

Interface de zoom do Galaxy Note 20 Ultra

Pela primeira vez, a empresa incluiu um zoom óptico de 5x junto com um zoom híbrido de 50x à la Huawei P30 Pro. A interface de software da Samsung para o recurso de aproximação é bem intuitiva, pois mostra os diferentes níveis de zoom — aí é só tocar sobre eles.

Na prática, minha recomendação para a maioria das pessoas é usar até 5x, pois, acima disso, só com um tripé. O fato é que tudo fica mais sensível e qualquer movimento pode ferrar o foco, ainda mais tentando captar algo que está super longe.

Se você curte tirar fotos à noite, o Note 20 Ultra faz um ótimo trabalho. Você vai ter imagens bem nítidas e um bom controle de luz. O grande ponto negativo é a forma como o software lida com o céu. Em alguns momentos, ele fica em um tom azulado, mesmo sendo muito tarde, lá pelas 23h, e em outros fica em um tom roxo. Isso, porém, só importa se você gostar muito de usar o céu para compor uma cena.

Trocando em miúdos

O Galaxy Note 20 Ultra tem um dos designs mais bacanas do mercado e com opções de cores bem interessantes — além do mystic bronze, usado no teste, há um tom de verde, exclusivo do Galaxy Note 20, que também é lindo. Além disso, a Samsung fez um ótimo trabalho na redução de bordas, tornando-o um dispositivo com telão e compacto ao mesmo tempo.

Se você curte a canetinha e todas suas facilidades para captar notas, este é o smartphone mais avançado com o acessório. Agora, se você se preocupa com o autonomia do aparelho, talvez valha recorrer a um Galaxy S20 Ultra pela maior capacidade. Ou simplesmente mudar a taxa de atualização para 60 Hz no Note 20 Ultra — os efeitos são sensacionais, mas se você não for jogar, talvez este seja um recurso que é melhor deixar de lado.

Galaxy Note 20 Ultra — ficha técnica

  • Tela: 6,9'' QuadHD+ com taxa de atualização de 120 Hz e certificação HDR10+
  • Sistema Android 10 com interface OneUI
  • Câmeras: 10 MP para selfie; na traseira: 108 MP (sensor principal), 12 MP (ultra-grande angular), 12 MP (teleobjetiva com zoom de 5x)
  • Memórias: 12 GB de RAM/256 GB de armazenamento
  • Chip: Exynos 990 octa-core de até 2,73 GHz
  • Sensores: acelerômetro, barômetro, leitor ultrassônico de impressão digital, sensor de giroscópio, sensor geomagnético, sensor hall, sensor de frequência cardíaca, sensor de proximidade, sensor de luz RGB.
  • Rede: 5G, Wi-Fi 6, Bluetooth 5.0
  • Bateria: 4.500 mAh.
  • Dimensões: 164,8 x 77,2 x 8,1 mm, 208 gramas

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Já estamos vivendo em uma distopia tecnológica?

Posted: 20 Oct 2020 04:23 AM PDT

Arte com telas de vários dispositivos, câmeras e olhos. Ilustração por Elena Scotti/Gizmodo com imagens Getty Images e Shutterstock

Na maioria das vezes, personagens fictícios raramente reconhecem quando estão presos em uma distopia. Assistindo seus vizinhos serem detidos por terem pensamentos subversivos, dificilmente dizem: "Eu queria que não estivéssemos vivemos nessa distopia". Para eles, essa distopia é apenas a vida. O que sugere que – se estivéssemos, neste momento, vivendo em uma distopia nós mesmos – poderíamos nem reparar.

Podemos chamar essa ou aquela política ou técnica de colheita de dados de "distópica", mas, pelo menos em algum nível, acreditamos que ainda não chegamos plenamente lá – que ainda há espaço, em nosso mundo, para um mínimo de liberdade/felicidade pessoal. Isso é uma ilusão ridícula? Nosso livre arbítrio é apenas uma frágil ilusão, controlada a critério de cinco ou seis empresas de tecnologia irresponsáveis? Esta é a distopia tecnológica com a qual estávamos preocupados? Para o Giz Pergunta desta semana, entramos em contato com vários especialistas com diferentes opiniões.

Jonathan Zittrain

Professor de Direito Internacional na Harvard Law School e na Harvard Kennedy School of Government, Professor de Ciência da Computação na Harvard School of Engineering and Applied Sciences, Diretor da Biblioteca da Harvard Law School e Co-Fundador do Berkman Klein Center for Internet & Society

Sim, no sentido que muitos de nós acham que, em vez de nos empoderar, a tecnologia é usada contra nós – principalmente quando se apresenta como simplesmente benéfica.

Comecei a pensar em algumas de nossas tecnologias mais promissoras, incluindo aprendizado de máquina, em comparação com o amianto: é incorporado fortemente em outros produtos e serviços, então nem sabemos que estamos usando; torna-se generalizado porque parece funcionar muito bem e sem qualquer cobertura de interesse público em sua instalação; é realmente difícil contabilizar, muito menos remover, quando está instalado; e carrega consigo a possibilidade de lesões profundas agora e futuramente.

Eu não sou anti-tecnologia. Mas me preocupo muito com o desdobramento de tal poder de maneira tão leviana e com tão poucos limites contra seu mau uso, seja agora ou mais tarde. Mais cuidado e supervisão pública são dedicados aos planos de alguém para aumentar a sua casa do que ao que pode ser ou se tornar uma plataforma online de bilhões de dólares e usuários.

E embora, graças ao seu poder e à confiança depositada neles por seus clientes, reconhecemos engenheiros, arquitetos, advogados e médicos como membros de profissões eruditas – com deveres para com seus clientes e para com o público que transcendem um mero acordo comercial – ainda não vimos isso aplicado a pessoas em ciência de dados, engenharia de software e campos relacionados que podem estar em uma posição de reconhecer e prevenir o dano conforme ele se acumula.

Existem muitas maneiras para sairmos dessa situação. Mas, primeiro, é necessário abandonar a noção de que são apenas negócios como sempre.

"Algumas de nossas tecnologias mais promissoras, incluindo aprendizado de máquina, são como o amianto… é realmente difícil de contabilizar, muito menos remover, quando está instalado; e carrega consigo a possibilidade de lesões profundas agora e futuramente".

McKenzie Wark

Professora de Cultura e Mídia, The New School, cuja pesquisa se concentra na mídia e na história e teoria cultural.

O termo 'distopia' pode ser muito restritivo, na medida em que roteiriza formas de pensar sobre opressão com as quais já estamos familiarizados em livros e filmes populares. Também nos dá uma ideia limitada de maneiras de resistir ou mudar essa opressão. Também pode influenciar esta forma de pensar a tecnologia em termos de extremos: nos é prometida liberdade ilimitada e, quando parece que não é isso que a tecnologia está criando, imaginamos a dominação total.

Pode ser mais útil pensar nas tecnologias como tendo uma gama de possibilidades, mas onde a maneira como elas atuam em seus efeitos em nossa vida cotidiana é um produto do conflito sobre como elas são moldadas e implantadas, e no interesse de quem.

Aqui é útil ter em mente a diferença entre o potencial de uma tecnologia e seus usos reais. De todas as coisas que poderíamos fazer com tecnologia, como acabamos escolhendo esses usos específicos? Por que essas tecnologias tiveram desenvolvimento acelerado enquanto outras foram deixadas para trás? Na maioria das vezes, isso se resume a quem financiou seu desenvolvimento.

Muito do que consideramos 'tecnologia' hoje remonta à Segunda Guerra Mundial e à Guerra Fria. A tecnologia surgiu de laboratórios apoiados pelo governo, mas não tanto para o bem comum quanto para fins militares. O trabalho experimental e de alto risco financiado pelo governo foi o que semeou uma indústria de tecnologia comercial que lucrou com os frutos desse trabalho fundamental por meio século ou mais.

Se fôssemos pensar em uma utopia tecnológica, teria que ser baseada no desenvolvimento dos usos da tecnologia que conhecemos para o bem comum, em vez de expandir o poder e o alcance de um punhado de corporações.

A tecnologia agora é principalmente a forma como as empresas buscam obter domínio sobre os mercados e se defender das reivindicações de domínio umas das outras. Portanto, o que temos é uma tecnologia que subordina as necessidades humanas ao poder corporativo. Você poderia chamar isso de distópico se quisesse, mas talvez seja algo pior. O que precisamos é um movimento de tecnologia popular. Para isso, precisamos da liderança daqueles que trabalham com tecnologia e que percebem que sua criatividade e esforço estão sendo desperdiçados na destruição do planeta para enriquecer alguns poucos bilionários.

"Agora, a tecnologia é principalmente a forma como as corporações buscam obter domínio sobre os mercados e se defender das reivindicações de domínio umas das outras. Portanto, o que temos é uma tecnologia que subordina as necessidades humanas ao poder corporativo".

Albert Gidari

Diretor de Privacidade do Center for Internet & Society da Stanford Law School

As pessoas não deveriam acreditar mais na distopia do que na utopia. O fato é que a tecnologia mudou o mundo para muita gente com o tempo e para melhor – da redução das doenças ao prolongamento da vida e ao aumento da alimentação e da saúde – que descartar esses ganhos é apenas negar a verdade.

Como acontece com todos os avanços tecnológicos, nem todos compartilham igualmente os ganhos ou benefícios da mesma maneira, e alguns podem até sofrer impactos desproporcionalmente negativos, mas isso não diminui o valor social geral dos avanços. Em vez disso, deve motivar a sociedade a estender esses benefícios a todos, para encontrar equidade e reduzir os impactos negativos.

A tecnologia em si não é boa nem má – é como a sociedade escolhe implementá-la que cria os problemas. Em vez de banir esta ou aquela tecnologia por medo de danos ou abusos futuros, é melhor prevenir ou processar o uso indevido. Maximizar os benefícios, gerenciar os riscos, tornar os resultados mais justos. Tudo isso é alcançável com qualquer tecnologia, mesmo que não seja possível em todas as sociedades.

Para todos aqueles que pensam que vivemos em um mundo distópico, em que avanço tecnológico deveríamos ter parado e dito "chega!"? Presumivelmente em algum momento depois da Idade do Ferro, ou talvez no alvorecer do semicondutor ou transistor, ou na ascensão da mídia social, ou é o desenvolvimento da inteligência artificial? Não acho que tenhamos alcançado a utopia, mas a tecnologia na verdade nos protege da distopia e nos mantém lutando pela próxima grande cura ou pelo próximo avanço ou inovação.

"A tecnologia em si não é boa nem má – é como a sociedade escolhe implementá-la que cria os problemas".

David Golumbia

Professor de inglês da Virginia Commonwealth University e autor do livro The Politics of Bitcoin: Software as Right-Wing Extremism

Nós vivemos em um mundo saturado com vigilância tecnológica, mídia que nega a democracia e empresas de tecnologia que se colocam acima da lei enquanto ajudam a espalhar o ódio e o abuso ao redor do mundo.

No entanto, o aspecto mais distópico do mundo atual da tecnologia pode ser que muitas pessoas promovam ativamente essas tecnologias como utópicas.

Como muitos comentaristas notaram, nosso mundo tem semelhanças fantásticas com o que Aldous Huxley retratou em seu romance Admirável mundo novo, de 1932. Enquanto preparava uma adaptação teatral do livro, anos atrás, o diretor de teatro britânico James Dacre observou que, no romance, a tecnologia "pode controlar nossa tomada de decisões com mídia social, pornografia, comercialização de sexo, publicidade e reality shows".

Em contraste com a visão totalitária mais apavorante de Orwell em 1984, no mundo de Huxley, "as pessoas pensam que estão sempre felizes, sempre conseguem o que querem e nunca querem o que não podem ter". O livre arbítrio e a deliberação política foram eliminados quase inteiramente, mas a busca do prazer obscurece isso. Mídias sociais, ferramentas de vigilância doméstica, testes genéticos domésticos e muitas outras tecnologias excedem até mesmo o que Huxley imaginou. Embora algumas pessoas entendam o que está acontecendo, muitas exigem mais ativamente tecnologia desse tipo, ao mesmo tempo que descartam suas desvantagens.

Não ajuda que quase todas as tentativas de pensadores criativos como Huxley de nos alertar sobre essas desvantagens sejam reinterpretadas pelos promotores de tecnologia como ideias fantásticas de produto. Talvez a coisa mais assustadora é que os promotores da tecnologia frequentemente citam as distopias como sendo sua inspiração – "Black Mirror na vida real", "Minority Report em tempo real". Eu não acho que a imaginação de Huxley ou Orwell eram tão sombrias, mas aqui estamos.

"Vivemos em um mundo saturado de vigilância tecnológica, mídia que nega a democracia e empresas de tecnologia que se colocam acima da lei enquanto ajudam a espalhar o ódio e o abuso em todo o mundo. No entanto, o aspecto mais distópico do mundo atual da tecnologia pode ser que tantas pessoas promovam ativamente essas tecnologias como utópicas".

Guy Standing

Pesquisador do Development Studies e membro fundador e co-presidente honorário da Basic Income Earth Network (BIEN), uma organização não governamental que promove uma renda básica para todos.

Acho que a melhor resposta à sua pergunta é que estamos caindo em uma tecnodistopia porque o sistema de distribuição de renda não está sendo ajustado a um mundo no qual a automação e a IA estão gerando mais renda e lucros em detrimento das pessoas que dependem do trabalho para a sua renda.

A resposta não é deter a mudança tecnológica, mas reciclar parte da renda para todos por meio de um sistema de renda básica. Uma das maneiras de fazer isso é ter taxas de dados digitais e um fundo de capital com o qual os dividendos sociais poderiam ser pagos como renda básica.

A proteção da privacidade é uma questão separada e deve ser muito fortalecida se quisermos evitar o estado de panóptico.

Aral Balkan

Desenvolvedor da Small Technology Foundation, uma organização sem fins lucrativos que defende e constrói pequenas tecnologias para proteger a personalidade e a democracia na era das redes digitais.

A tecnologia que pertence e é controlada por pessoas (indivíduos) é uma ferramenta capacitadora que protege os direitos humanos e a democracia. A tecnologia que pertence e é controlada por um punhado de interesses de trilhões de dólares é uma arma de vigilância e opressão que destrói os direitos humanos e a democracia. Pergunte a si mesmo quem possui e controla a tecnologia hoje e você chegará à resposta.

Se quisermos mudar isso, devemos parar de adorar na igreja do modelo míope e tóxico do Vale do Silício de capital de risco, startups, crescimento exponencial e começar a investir em empresas de tecnologia menores e de propriedade individual e controlada como alternativa às Big Techs.

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